Há uma regra que parece lógica quando compramos fruta: se está duro, ainda não está maduro; se está macio, está pronto para comer.
No caso do dióspiro, esta regra pode levar a uma escolha errada.
Existem dióspiros que podem ser consumidos quando continuam firmes e outros que precisam de amadurecer bastante e ficar muito macios antes de perderem a sensação de adstringência que deixa a boca áspera. A diferença está, em grande parte, no tipo de dióspiro.
É por isso que a dureza, por si só, não chega para saber se um dióspiro está pronto para comer.
Porque é que alguns dióspiros se comem duros?
Os dióspiros podem ser classificados, de forma simplificada, em adstringentes e não adstringentes.
Nos frutos adstringentes, existem níveis elevados de taninos solúveis. São estas substâncias que provocam aquela sensação característica de boca seca, áspera e contraída quando se come um fruto que ainda não perdeu a adstringência.
Já algumas variedades não adstringentes perdem a maior parte dessa característica antes de ficarem moles.
É o caso de variedades como Fuyu e Jiro, que podem ser consumidas ainda firmes.
É aqui que está a resposta para o título deste artigo: um dióspiro firme pode estar perfeitamente pronto para comer.
Então como saber se um dióspiro está maduro?
A primeira pergunta deveria ser:
Que tipo de dióspiro é?
Sem essa informação, avaliar apenas pela dureza pode ser enganador.
Nos tipos não adstringentes, um fruto firme, com coloração adequada e sem sinais de deterioração pode estar pronto para consumo.
Nos tipos adstringentes, a situação é diferente. Estes precisam normalmente de avançar mais no processo de amadurecimento, tornando-se muito mais macios, para que a adstringência diminua.
Por isso, dois dióspiros que parecem semelhantes numa banca podem exigir tratamentos completamente diferentes em casa.
A cor também ajuda
A cor da casca é outro indicador de maturação, mas também deve ser interpretada tendo em conta a variedade.
A investigação pós-colheita indica que a mudança da cor verde para tonalidades amarelas, laranja ou vermelho-alaranjadas acompanha a maturação, embora o padrão exato varie entre cultivares.
Ou seja, a cor é útil, mas não deve ser analisada isoladamente.
Um dióspiro muito verde é, em geral, um sinal de que ainda não atingiu o estado adequado de maturação. Mas entre frutos já coloridos, a firmeza e o tipo de variedade tornam-se importantes.
E aquele dióspiro muito mole?
Se for uma variedade adstringente, a textura muito macia pode ser precisamente aquilo que se procura.
À medida que estes frutos amadurecem, os taninos solúveis responsáveis pela adstringência tornam-se menos reativos, diminuindo a sensação desagradável na boca.
É por isso que um dióspiro muito mole não deve ser automaticamente confundido com um fruto estragado.
Pode estar simplesmente num estado de maturação avançado e adequado ao consumo.
Naturalmente, isso não significa que qualquer fruto mole esteja bom.
É preciso distinguir entre amolecimento normal e sinais de deterioração.
Quando é que o dióspiro já não está em boas condições?
Independentemente da variedade, convém evitar frutos que apresentem sinais evidentes de deterioração, como:
- bolor;
- zonas extensas em decomposição;
- líquido a sair do fruto;
- cheiro anormal;
- danos profundos;
- aspeto claramente degradado.
Uma coisa é a polpa estar muito macia porque o fruto amadureceu. Outra é apresentar sinais de deterioração.
Essa distinção é particularmente importante porque o amolecimento faz parte do processo normal de maturação de algumas variedades.
Porque é que o dióspiro “trava” a boca?
É uma das características mais curiosas deste fruto.
A sensação de boca áspera ou “travada” não é simplesmente falta de açúcar ou de maturação no sentido comum. Está relacionada com os taninos solúveis.
Estas moléculas interagem com proteínas presentes na saliva, reduzindo a lubrificação normal da boca e provocando aquela sensação de secura e contração.
Durante o amadurecimento dos dióspiros adstringentes, os taninos solúveis tornam-se progressivamente insolúveis e deixam de provocar a mesma sensação.
É uma pequena demonstração de ciência alimentar que acontece literalmente enquanto o fruto amadurece na fruteira.
Deve comprar dióspiros duros ou moles?
Depende do que pretende.
Se forem de uma variedade não adstringente, pode escolher frutos firmes, desde que apresentem boa coloração e não tenham sinais de deterioração. Alguns podem ser consumidos com uma textura crocante ou firme.
Se forem de uma variedade adstringente, pode ser necessário deixá-los amadurecer até ficarem bastante macios.
Por isso, se pretende consumi-los rapidamente, é importante perceber que tipo de dióspiro está a comprar.
E se comprar dióspiros ainda verdes ou muito firmes?
Nem sempre é um problema.
Alguns dióspiros podem continuar o processo de amadurecimento depois de colhidos. No caso dos tipos adstringentes, deixá-los amadurecer à temperatura ambiente é uma das formas naturais de reduzir progressivamente a adstringência.
Há também métodos pós-colheita utilizados para reduzir a adstringência, mas para o consumidor doméstico o princípio mais simples é conhecer a variedade e perceber o estado em que o fruto se encontra.
O erro de escolher apenas pela dureza
É provavelmente a ideia mais importante deste artigo.
Quando pegamos num dióspiro e pensamos: “está duro, portanto ainda não está maduro”, podemos estar a aplicar uma regra errada ao fruto.
A investigação mostra que a evolução da cor e da firmeza varia entre cultivares.
Algumas variedades não adstringentes podem ser consumidas firmes, enquanto variedades adstringentes precisam de atingir um estado muito mais avançado de amadurecimento.
Portanto, não existe uma textura universal que defina um dióspiro maduro.
Como escolher bem na frutaria
Da próxima vez que comprar dióspiros, não comece por apertá-los.
Observe primeiro:
1. A cor
Procure frutos com uma coloração compatível com o seu estado de maturação.
2. O estado da pele
Evite danos profundos, bolor ou sinais de deterioração.
3. A firmeza
Aqui está o ponto fundamental: um dióspiro firme pode estar pronto para comer, dependendo da variedade.
4. A variedade
Se souber se é um tipo adstringente ou não adstringente, a decisão torna-se muito mais fácil.
E, sobretudo, não confunda um fruto muito mole com um fruto necessariamente estragado.
No dióspiro, a textura faz parte da história da maturação.

















